domingo, 9 de setembro de 2007


Aves
desta canção astral
súbitas como sonhos
ou clarões
rompendo das estrelas,
levai-nos
do chão onde as cidades
podres nos poluem
ao céu deserto
e puro:
naves,
ao incerto mar
da eternidade.
Carlos de Oliveira, (1921-1980)

Um comentário:

Paulo Vicente disse...

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!